O alfabeto hebraico cantado!

Então… recebi um e-mail hoje de um leitor que me disse que usa os vídeos para ensinar hebraico aos seus filhos. Fiquei feliz de ouvir isso, já que também ensino um pouco de hebraico aos meus filhos, e me lembrei também que existe uma pequena cantiga que ainda não compartilhei com vocês (pelo menos creio que não…). Segue abaixo o alfabeto cantado em hebraico:

Continuar lendo “O alfabeto hebraico cantado!”

Incongruência na Bíblia? Êxodo 6.3 e o nome de Deus

Nosso post hoje tem uma inclinação apologética. Sempre existem e sempre existirão perguntas que os cristãos devem responder tanto para sanar suas próprias dúvidas quanto para defender sua fé diante daqueles que a confrontam. A pergunta que responderei hoje diz respeito a possíveis incongruências na Bíblia. Ela veio a mim indiretamente por um muçulmano que queria demonstrar que a Bíblia não é inspirada.

Vejam a pergunta e resposta abaixo:

Jefferson Bible

Página 65 da Bíblia de Thomas Jefferson. Ele extraía palavras e versículos que considerava incorretos (inclusive referências ao sobrenatural, milagres, a ressureição, etc).

Continuar lendo “Incongruência na Bíblia? Êxodo 6.3 e o nome de Deus”

Novo Vídeo de Hebraico: Aplicação do Coortativo

Algum tempo atrás, recebi um e-mail de um leitor pedindo mais vídeos como a pequena aplicação do alfabeto hebraico que fiz logo na primeira unidade. Achei uma ótima ideia, e tentarei criar um vídeo assim por unidade. Decidi fazer os vídeos para acompanhar o estudo dos alunos do curso de hebraico bíblico do Mackenzie. Assim, não começarei na Unidade 2, mas na Unidade 13, e mais tarde voltarei às unidades anteriores.

O vídeo abaixo foi criado basicamente para mostrar a relevância de se aprender e compreender os volitivos (especialmente o coortativo) por si sós, quero dizer em hebraico, e não em função de uma tradução ao português.

Como o hebraico me ajuda na pregação?

Este post é direcionado, principalmente, a seminaristas e pastores. Isto é, aqueles que atualmente manejam, ou almejam manejar, a palavra de Deus no contexto da pregação. Todavia, espero que outros também possam ser beneficiados!

Neh8.7-8
Neemias 8.7-8 “… e os levitas ensinavam o povo na Lei; e o povo estava no seu lugar. Leram do livro, da lei de Deus, interpretando, e deram explicações de maneira que entendessem o que se lia.” (minha tradução)

Certamente, o pastor, seminarista, missionário, ou até mesmo um transeunte que alguma vez passou perto de algum seminário com ouvidos abertos, já ouviu esta conversa:
–Cara, tô muito cansado de estudar tudo isso!
–Nem sei por que estudamos o hebraico hoje em dia! Meu pastor só prega usando a Bíblia em português.
–Pois é! Além do mais, João do último ano disse que fez a aula de pregação e passou sem nem olhar para o hebraico!
–É muito trabalho pra pouca coisa… fala sério!

Se é assim, vamos então “falar sério”. Sabe uma coisa que é séria? O ministério pastoral. Observamos, em Ezequiel 34.11-31, que Deus é o Pastor das ovelhas, e que Ele estabelece seu Messias como Pastor sobre seu povo. Logo, qualquer pastoreio nosso é subordinado ao pastoreio de Cristo (Hebreus 13.20). Se essa responsabilidade já não bastasse, Tiago faz ainda uma forte advertência: “Meus irmãos, não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo” (Tiago 3.1).

Continuar lendo “Como o hebraico me ajuda na pregação?”

Há algo de errado com as traduções que temos?

Ok. Acho bom já de início desmistificar a importância das linguagens bíblicas. O hebraico não é, contrário a rabinos judaicos medievais (Gênesis Rabá 38.4), a língua de Adão ou língua de Deus, utilizada para criar o mundo. Não existe uma sacrosanticidade nem do hebraico nem do grego. Deus poderia ter utilizado swahili, mandarim ou tupi-guarani tão bem quanto utilizou hebraico e grego.

Não obstante, Deus escolheu utilizar o hebraico porque essa era a língua dos judeus. Ele utilizou o grego porque essa era a língua franca nos tempos de Cristo. As línguas originais da Bíblia são escolhas de Deus ao intervir no tempo e no espaço da humanidade. Isto é: a Bíblia foi escrita em hebraico e grego (ah! e, é claro, aramaico!) porque Deus se acomodou, se adaptou, ao modo de falar da sua audiência em um tempo e geografia específicos.

Ótimo, legal, beleza, mas… se a Palavra de Deus foi escrita em linguagens contemporâneas, que hoje não utilizamos, qual é o problema com as traduções?

Continuar lendo “Há algo de errado com as traduções que temos?”

Não é muito difícil aprender hebraico?

Já me acostumei àquele olhar meio-estupefato, meio-assombrado que recebo quando digo que conheço 7 línguas (3 vivas, 4 mortas – e as mortas nem valem tanto assim!). “O quêêê?? Você deve ser um gênio!” E aí acaba toda a discussão. Não vale dizer que não é tão difícil assim – “Ahn, mas é claro, pra você, inteligente assim, nada é difícil!” – ou que é apenas necessário estar disposto a ser diligente e trabalhar duro – “Aposto que gastaria o dobro – não, o triplo! – de tempo para aprender o mesmo que você!” – ou até mesmo admitir que já esqueci mais do que aprendi – [insira comentário estupefato/assombrado aqui]…

Babel_Doré
Gustave Doré La Confusion de Langues (1865)

Mas quer saber o que realmente acontece? Acontece que somos preguiçosos. É mais fácil acreditar que existe um suposto “dom de línguas” (não digo no sentido teológico), uma receita molecular no DNA de todos-a-não-ser-eu – seres humanos superiores a mim – que conseguem aprender as linguagens bíblicas, do que acreditar que, se eu tivesse o interesse ou a necessidade de aprender outra língua, poderia fazê-lo facilmente. Veja, por exemplo, o que diz o poliglota irlandês, no mundo secular, que agora vende seu método de aprendizado pela internet.

Minha esposa nasceu e cresceu na Índia, em Pune, Maharashtra. Ela fala inglês (a língua utilizada em casa e na igreja), marathi (a língua utilizada no dia-a-dia no seu estado), hindi (a língua necessária para ver filmes do Bollywood), e consegue se comunicar em outras duas. Agora, isso não é fora do comum no seu estado e em vários lugares na Ásia e África, é infreqüente o cidadão monolinguístico. Além disso, depois de se casar comigo, ela aprendeu o hebraico bíblico (não foi imposição minha! prometo!) e está aprendendo o português – as duas línguas porque ela quis, isto é, teve o interesse de aprender.

Contudo, quando digo que o hebraico não é muito difícil de se aprender, isso não quer dizer que é tudo um mar de rosas e que há um método perfeito para se aprender a língua em um mês. O aprendizado de qualquer língua requer imersão e contato constante. Assim, a língua hebraica acaba sendo uma amante ciumenta: ela rejeitará qualquer pessoa que não dedicar o tempo necessário para conhecer seu modo de se expressar (pronúncia e escrita), seus jeitinhos e neuras (gramática), ou que nunca parar para admirá-la como um todo (ex: a tradução de um texto bíblico completo). Então, a língua hebraica é difícil? Sim, mas não tanto quanto pensamos e vale à pena!