O Hebraico Bíblico e a Fonologia

Fo-no-lo-gia. Pronuncie essa palavra. Como você soube traduzir esses rabiscos virtuais (letras) em uma conjunção de sons com sentido (fonemas)?

Todos nós já temos um conhecimento básico de pronúncia, principalmente na nossa própria língua! Porém, o estudo disciplinado e sistemático dos sons de uma linguagem e de como eles se organizam é chamado de fonologia.

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Elis Regina canta sobre a Nega do Cabelo Duro: “nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia,” brincando com a ambiguidade entre os fonemas presentes em “pente que te penteia” e a percussão da canção. (Agora… falando sério… pra quem me conhece – já deixei meu cabelo crescer a esse ponto aí e não existe pente que penteie isso aí não!)

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Aula sobre Análise do Discurso!

[Uma postagem rápida que tem pouco a ver com o hebraico]

Então pessoal, estarei em São Paulo do dia 20 a 24 de março para ensinar um curso modular no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper sobre análise do discurso. Infelizmente para a maioria dos leitores deste blog, o curso não focará na análise do discurso aplicada ao hebraico bíblico, mas ao grego. Se mesmo assim você tem interesse, veja a página de inscrição aqui.

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Manuscrito Alexandrino de Filipenses. O módulo usará o texto de Filipenses como base para a prática da análise do discurso.

[Pronto! Agora, de volta ao hebraico!]

O Hebraico Bíblico e a Linguística

Já falamos um pouco sobre a análise do discurso, mas quero voltar a um assunto mais básico: o uso da linguística, o estudo sistematizado de línguas, para a melhor compreensão do hebraico bíblico.

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Gn. 11.1: Toda a terra tinha uma língua e um vocabulário. At. 2.4: E todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que proferissem. [minhas traduções]
No passado, o estudo do hebraico era mais caracterizado pela filologia, o estudo da história de uma língua (por exemplo: – De onde surgiu o verbo “ser” em hebraico, היה?, ou – Por que vemos algumas palavras segoladas revertendo a outras vogais no plural?). Hoje em dia, o estudo da língua está mais voltado para compreendê-la por si mesma, mais no seu contexto sistêmico do que no seu contexto histórico, o que acaba sendo muito útil para nós estudantes da Bíblia! Lembre-se que esse tipo de estudo, um estudo sincrônico, foi introduzido nos círculos acadêmicos pelo bigodudo Ferdinand de Saussure (veja o post sobre a análise do discurso). E é esse tipo de estudo que chamamos de linguística moderna. Tanto a filologia (ou linguística comparativa) quanto a linguística moderna podem ser úteis, mas usaremos mais a linguística moderna nos posts a seguir. Continuar lendo “O Hebraico Bíblico e a Linguística”

Análise do Discurso: O que é?

O título é um pouco enganador. Não vou falar sobre a área de análise de discurso como é conhecida nos ramos acadêmicos brasileiros. No nosso país, adotamos um sistema de análise francês direcionado, em grande medida, a estudos relacionados à mídia e suas ideologias (sócio-políticas, religiosas, filosóficas, científicas, etc.). Já no mundo dos estudos bíblicos, a análise do discurso está voltada, é claro, para o texto da Bíblia. Assim, a análise do discurso que nos interessa é mais informada pela linguística e hermenêutica do que pela filosofia.

Poderíamos falar de vários linguistas bíblicos antes de 1916 (os mais importantes ou mais influentes linguistas do hebraico antes da fase moderna incluem os Massoretas, Orígenes, e Jerônimo), mas a cena linguística mudou completamente com Ferdinand de Saussure e seu Curso de Linguística Geral. Saussure, na verdade, morreu em 1913, mas o curso que ensinou (apenas 3 vezes!) na Universidade de Genebra foi publicado através de uma restauração e compilação das notas de seus alunos em 1916.

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Ferdinand de Saussure

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