Vocabulário básico do AT hebraico

ATUALIZAÇÃO: se você já baixou os arquivos dessa postagem antes do dia 13/10/25, encontrei alguns erros e os corrigi. Baixe-os de novo abaixo.

Como professor de hebraico bíblico, frequentemente me deparo com um problema: quanto conhecimento de hebraico posso/devo exigir dos meus alunos? “Pouco”, “básico”, “intermediário” ou “avançado” não são respostas muito objetivas. Em inglês, existem várias listas de vocabulário hebraico, criadas justamente para ajudar professores e alunos com esse problema. Contudo, só existe uma tal lista em português, num livro publicado pela Vida Nova, mas não mais impresso: Estudos do Vocabulário do Antigo Testamento, por Larry Mitchel, e traduzido pelo Pr. Luiz Sayão. É uma lista excelente (usei a versão inglesa nos meus estudos de bacharel, quando aprendia a língua), mas como é um pouco antiga e não está disponível mais, decidi criar uma nova lista para meus alunos.

Capa de Sefer HaShorashim, por Davi Kimhi, gramático judeu em tempos medievais. Essa versão acima foi publicada mais de 800 anos depois da primeira!

Aqui está:

Vocabulário básico do AT hebraico em pdf
(melhor para imprimir, especialmente se seu dispositivo não tiver compatibilidade com fontes em outras línguas)

Vocabulário básico do AT em hebraico para Anki
(Pr. Marcos Rogério me ajudou com essa lista aqui! Se você souber mexer com o Anki, os flashcards já estão prontos aqui)

Seguem abaixo algumas informações e instruções que também estão inclusas no arquivo acima.

Sobre essa lista

Minha lista não é completa (seria muito difícil fazer isso!), mas as palavras aqui são as 363 palavras mais comuns do AT hebraico. Não incluo nomes próprios. Ao memorizar toda a lista, o aluno aprenderá todas as palavras que ocorrem 100 vezes ou mais no AT hebraico. Bons estudos!

Como ler as palavras dessa lista

Cada item na lista abaixo tem quatro categorias (da direita para a esquerda):

  • Número: para que o aluno consiga contar quantas palavras já conhece, decidir quantas palavras quer aprender ou saber onde voltar, se quiser estudar a partir dessa lista.
  • Frequência: quantas vezes a palavra ocorre no AT hebraico.
  • Palavra: a palavra hebraica.
  • Glosa: uma breve possibilidade de tradução. Observe que uma glosa não é a definição da palavra. Existem outras possíveis traduções, e a palavra pode (e em muitos casos deve) ser estudada mais a fundo.

Observe que:

  • o acento de palavras hebraicas quase sempre será na última sílaba; quando há uma exceção, a palavra terá um acento ◌֫ para marcar a sílaba tônica (acento que não ocorre na Bíblia hebraica!),
  • formas diferentes da mesma palavra são marcadas por uma barra oblíqua (/),
  • verbos estão na forma 3ms do qatal, no grau que ocorre com maior frequência, grau este que é marcado em negrito nas glosas de verbos que ocorrem em mais de um grau,
  • os graus são abreviados da seguinte forma:
    • Q: Qal
    • N: Nifal
    • Pi: Piel
    • Pol: Polel
    • Poel: Poel
    • Pu: Pual
    • Hi: Hifil
    • Ho: Hofal
    • Ht: Hithpael
    • Hithpol: Hithpolel
    • Hisht: Hishtafel
  • parênteses na palavra hebraica indicam o radical verbal, quando este é difícil de derivar no qatal 3ms,
  • colchetes indicam alguma informação que não se pode traduzir da palavra, e
  • parênteses na glosa indicam uma tradução possível (mas não necessária).

Como usar essa lista

Use como quiser! Mas sugiro duas principais maneiras:

Uso diagnóstico

Cubra a coluna de glosas com um papel ou algo fosco. Leia a palavra grega à esquerda e diga sua tradução de memória. Quando você chegar numa parte da lista em que você não reconhece duas ou três palavras seguidas, você chegou em seu limite. Agora você sabe quantas palavras você já memorizou!

Uso didático

É claro que você não quer apenas saber quantas palavras você conhece! É sempre bom progredir. Assim, depois de fazer seu diagnóstico, use a lista para estudar novas palavras de forma sistemática. Por exemplo: Fulano viu que ele conhece todas as palavras até o número 100. A partir de palavra #101, a memória começa a ficar embaçada (ele não se lembrou nem de אַרְבַּע ,עוֹלָם, ou עַתָּה). Assim, ele sabe que deve estudar a partir da palavra #101.

Sugiro que você faça flashcards (digitais ou físicos), colocando o termo hebraico de um lado e a glosa em português de outro lado. Escolha um objetivo de estudo. Por exemplo: “quero aprender 12 palavras novas por semana!” (não recomendo mais do que 6 palavras novas por dia de estudo!). Use um método de repetição espaçada para estudar e revisar esse vocabulário todo dia. Bons estudos!

Adendo

Talvez você já notou, mas eu não estou publicando muito mais aqui no Isso é Hebraico. Isso se deve a três problemas:

  1. Tempo limitado. Meu tempo nos últimos anos se tornou mais limitado para o trabalho que faço aqui. Meus filhos precisam mais de mim do que você, caro leitor, precisa de uma nova postagem sobre o aspecto verbal da língua hebraica!
  2. Escopo limitado do Isso é Hebraico. Meu trabalho envolve mais do que a língua hebraica. Nos últimos anos, de fato, ensino e publico mais coisas nas áreas de NT do que de AT. Assim, fica difícil trabalhar em assuntos para esse blog.
  3. Interesses mais abrangentes. Eu tenho interesses maiores do que apenas a língua hebraica, e gostaria de compartilhar esses outros interesses também. Não acho certo escrever aqui muito sobre o uso do AT no NT, Teologia Bíblica, ou até mesmo exegese.

Por causa disso, resolvi criar um segundo blog, no substack: Abrindo a Palavra. Fique tranquilo! Isso não significa que vou deletar Isso é Hebraico. Apenas que lá eu poderei escrever mais sobre outros assuntos, publicar coisas mais atuais que estão alinhadas com meu atual ministério e, em geral, escrever de uma forma menos restrita à língua hebraica. Continuarei publicando coisas aqui no Isso é Hebraico, quando forem pertinentes. Contudo, quando forem assuntos sobre a língua grega, exegese, teologia, ou outras coisas do tipo, publicarei lá no substack. Se isso te interessar, entre lá e faça uma inscrição (gratuita!) para receber atualizações.

Línguas bíblicas – pra quê?

Se você está aqui, segue o blog, lê as postagens, etc., provavelmente já sabe por que você quer estudar as línguas bíblicas. Contudo, talvez conheça alguém que precise ler essa publicação! Portanto, vou falar um pouco sobre o que respondo a pessoas que questionam o estudo das línguas bíblicas. Talvez te ajude da próxima vez que alguém na sua igreja disser, “mas hebraico pra quê?!”

  1. Antes… quais são as línguas bíblicas?
  2. Todo crente precisa aprender as línguas bíblicas? (não!)
  3. Mas então por que devemos estudá-las?
    1. Temos a oportunidade de aprender as línguas bíblicas
    2. Podemos aprender com maior certeza e exatidão o significado da Bíblia
    3. Toda educação útil deve mudar sua forma de viver
  4. Quem precisa estudar as línguas bíblicas?
    1. Todos que quiserem!
    2. Ministros da Palavra
  5. Quanto estudo basta?
    1. Quanto estudo basta para um futuro ministro da Palavra?
    2. Quanto estudo basta para um crente qualquer?
  6. Qual é a melhor maneira de aprendê-las?
    1. Primeiro, o que significa aprender uma língua?
    2. Qual é o seu alvo?
    3. O que é necessário fazer para atingir seu alvo?
    4. Quais recursos você me recomenda?
  7. Conclusão

Aliás, só para deixar claro: escrevo de uma perspectiva evangélica. Sou pastor da IPB, e o que escrevo abaixo é para responder perguntas que já ouvi de outros pastores, membros de igreja e alunos de teologia.

Continuar lendo “Línguas bíblicas – pra quê?”

Hebraico Intermediário

Passando por aqui rapidinho para dizer a vocês que criei uma nova aba no meu site: Hebraico Intermediário. O alvo dessa aba é de ajudar àqueles que já aprenderam a língua hebraica, mas que agora precisam fazer alguma coisa com aquilo que aprenderam se não quiserem perder a língua. No momento, tenho poucas coisas ali, mas espero desenvolver essa aba com o passar do tempo.

Espero escrever posts também para ajudar àqueles que querem ter mais dicas de como manter e desenvolver o hebraico que já têm. Então, se tiver alguma pergunta ou sugestão, vá fazendo por aqui e tentarei respondê-la nos próximos meses.

Hebraico para Iniciantes: Orações “sem verbo”

Sei que não tenho escrito muito ultimamente… A vida é bela, mas o tempo é escasso. Portanto, como:

  1. os posts que coloco na categoria “Gramática em Foco” são mais avançados,
  2. não tenho, atualmente, muito tempo para gastar escrevendo posts mais avançados,
  3. eu sei que a maioria da minha audiência ainda é novata nos seus estudos de hebraico,

decidi criar uma nova série de posts mais simples sobre algumas partes da língua hebraica que todo iniciante precisa saber. Veja bem! Não vou escrever um post simples no sentido em que ninguém mais poderá se beneficiar dele, mas vou escrever algo mais aprofundado sobre um elemento que você talvez estudou (ou está estudando) no seu primeiro ano de hebraico que pode ser um tanto confuso ainda. Em outras palavras, isso aqui não será uma aula de hebraico! Mas espero esclarecer essas partes fundamentais da língua hebraica por aqui e talvez ajudar alguns seminaristas, pastores, e demais alunos da língua hebraica.

Hoje, o tópico da vez é a oração “sem verbo”, uma das partes mais básicas e abundantes da língua hebraica.

Veja alguns exemplos abaixo:

Note que, em minhas traduções acima, forneço o verbo “ser” ou “estar” para cada exemplo, mas ele não está presente no texto hebraico em si. Como assim? Por que isso acontece? Vamos dar uma olhada nessa parte da gramática hebraica?

Continuar lendo “Hebraico para Iniciantes: Orações “sem verbo””

Análise do Discurso em Filipenses

[AVISO: esse post não tem nada a ver com o hebraico]

Em agosto, eu vou dar um módulo sobre Análise do Discurso no MDiv/STM do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper. Segue abaixo um videozinho curto que fiz para dar mais informações sobre o curso.

Para mais informações, veja os links abaixo:

Se você tiver interesse e gostaria de fazer o curso comigo, dê uma olhada no calendário aqui e faça sua inscrição!

Entrevista com Pr. Marcos Rogério

Creio que já faz um tempo que fiz uma entrevista. A última, feita com meu irmão, foi no início de 2019. Então já precisávamos entrevistar outros, não é? Hoje temos uma entrevista com o Pr. Marcos Rogério, que é um professor no IBAA, em Cuiabá. Para um pouco da nossa história: nós nos conhecemos na Igreja Presbiteriana do Bairro Campo Belo, na qual Marcos trabalhou como seminarista sob a supervisão do meu pai, Pr. Valdeci da Silva Santos, e nos tornamos amigos durante nossos estudos em seminários diferentes. Tenho grande respeito pelo Marcos e sua dedicação aos estudos teológicos. Leia abaixo sobre as experiências dele com as línguas bíblicas!

Continuar lendo “Entrevista com Pr. Marcos Rogério”

Atualização: Resenha de Rocine

Bom, depois das minhas resenhas sobre a gramática de Rocine (veja a primeira aqui), decidi usá-la com meus alunos esse ano no IBEL. É claro que tivemos contra-tempos, como creio que toda instituição de ensino tem esses dias, mas conseguimos terminar o primeiro semestre.

Aqui está o remanescente dos alunos (tínhamos outros dois que não puderam comparecer no dia da foto). Não sei se a felicidade deles aqui registrada se deve ao aprendizado da língua ou à conclusão do semestre, mas imagino que a primeira opção está correta.

Segue abaixo então: 1) um resumo das aulas e da nossa experiência, 2) o bom, 3) o ruim, 4) o feio e 5) uma reavaliação da gramática de Rocine?

Continuar lendo “Atualização: Resenha de Rocine”

Resenha: Hebraico Bíblico, parte 3 (נִלְמַד עִבְרִית)

*Nota: algumas partes da resenha abaixo foram copiadas de uma resenha que escrevi para a Fides Reformata.

https://estudaringlesnoexterior.com/wp-content/uploads/2017/03/Melhores-escolas-de-ingl%C3%AAs-no-Brasil.jpg

Hoje em dia, um dos tipos de cursos de inglês mais procurados é o curso de inglês conversacional. A razão disso é que esses cursos preparam o aluno não só para conhecer como o inglês funciona em termos da sua gramática, mas a aprender esse funcionamento na pele, isso é, na prática. Ao aprender inglês na prática, não é só a pronúncia do aluno que melhora, mas sua capacidade de pensar em inglês, sua capacidade de conhecer as escolhas significativas que são possíveis a ele e a seus interlocutores. Ao fazer algumas aulas desse tipo, esse aluno passa de ser um mero observador da língua inglesa e passa a ser um estudante imerso e participador do inglês.

Continuar lendo “Resenha: Hebraico Bíblico, parte 3 (נִלְמַד עִבְרִית)”