O Hebraico Bíblico e a Linguística

Já falamos um pouco sobre a análise do discurso, mas quero voltar a um assunto mais básico: o uso da linguística, o estudo sistematizado de línguas, para a melhor compreensão do hebraico bíblico.

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Gn. 11.1: Toda a terra tinha uma língua e um vocabulário. At. 2.4: E todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que proferissem. [minhas traduções]
No passado, o estudo do hebraico era mais caracterizado pela filologia, o estudo da história de uma língua (por exemplo: – De onde surgiu o verbo “ser” em hebraico, היה?, ou – Por que vemos algumas palavras segoladas revertendo a outras vogais no plural?). Hoje em dia, o estudo da língua está mais voltado para compreendê-la por si mesma, mais no seu contexto sistêmico do que no seu contexto histórico, o que acaba sendo muito útil para nós estudantes da Bíblia! Lembre-se que esse tipo de estudo, um estudo sincrônico, foi introduzido nos círculos acadêmicos pelo bigodudo Ferdinand de Saussure (veja o post sobre a análise do discurso). E é esse tipo de estudo que chamamos de linguística moderna. Tanto a filologia (ou linguística comparativa) quanto a linguística moderna podem ser úteis, mas usaremos mais a linguística moderna nos posts a seguir. Continuar lendo “O Hebraico Bíblico e a Linguística”

Análise do Discurso: O que é?

O título é um pouco enganador. Não vou falar sobre a área de análise de discurso como é conhecida nos ramos acadêmicos brasileiros. No nosso país, adotamos um sistema de análise francês direcionado, em grande medida, a estudos relacionados à mídia e suas ideologias (sócio-políticas, religiosas, filosóficas, científicas, etc.). Já no mundo dos estudos bíblicos, a análise do discurso está voltada, é claro, para o texto da Bíblia. Assim, a análise do discurso que nos interessa é mais informada pela linguística e hermenêutica do que pela filosofia.

Poderíamos falar de vários linguistas bíblicos antes de 1916 (os mais importantes ou mais influentes linguistas do hebraico antes da fase moderna incluem os Massoretas, Orígenes, e Jerônimo), mas a cena linguística mudou completamente com Ferdinand de Saussure e seu Curso de Linguística Geral. Saussure, na verdade, morreu em 1913, mas o curso que ensinou (apenas 3 vezes!) na Universidade de Genebra foi publicado através de uma restauração e compilação das notas de seus alunos em 1916.

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Ferdinand de Saussure

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