Resenha: Hebraico Bíblico, parte 3 (נִלְמַד עִבְרִית)

*Nota: algumas partes da resenha abaixo foram copiadas de uma resenha que escrevi para a Fides Reformata.

https://estudaringlesnoexterior.com/wp-content/uploads/2017/03/Melhores-escolas-de-ingl%C3%AAs-no-Brasil.jpg

Hoje em dia, um dos tipos de cursos de inglês mais procurados é o curso de inglês conversacional. A razão disso é que esses cursos preparam o aluno não só para conhecer como o inglês funciona em termos da sua gramática, mas a aprender esse funcionamento na pele, isso é, na prática. Ao aprender inglês na prática, não é só a pronúncia do aluno que melhora, mas sua capacidade de pensar em inglês, sua capacidade de conhecer as escolhas significativas que são possíveis a ele e a seus interlocutores. Ao fazer algumas aulas desse tipo, esse aluno passa de ser um mero observador da língua inglesa e passa a ser um estudante imerso e participador do inglês.

Vamos dar uma olhada nesse conceito a partir de outra perspectiva – em quem você confiaria mais para te ensinar sobre literatura russa? Um professor brasileiro que leu todos os clássicos russos somente em traduções portuguesas ou uma professora russa que também leu e conhece todos os clássicos na língua original? Vamos imaginar até que essa professora sofra um pouco na sua habilidade de comunicar em português. Não sei o que você acha, mas eu prefiriria fazer aulas com ela mesmo assim! Mesmo que seu português ainda não seja muito bom, seu domínio da língua e cultura russa certamente excederão em muito o domínio do professor brasileiro que não consegue entender as nuanças da língua, as ênfases e destaques importantes de cada autor nos seus pormenores e, por fim, não conseguirá ter um conhecimento tão completo das novelas russas.

Qual é meu ponto principal com esses dois cenários? Minha ideia aqui é que, para realmente entender um texto em determinada língua, nós precisamos ter um domínio dessa língua, e só conseguimos realmente dominar qualquer língua por imersão. Quanto mais contato tivermos com o texto bíblico durante nosso período de aprendizado da língua, maior será nossa compreensão da língua e do texto.

Acho que aqui vale então mostrar o sumário do livro para explicar como isso funciona na gramática de Rocine:

Após uma introdução à gramática em si (9-14) e um breve guia à pronúncia do hebraico (15-24), o livro está dividido em seis módulos de lições, seguidos por uma seção de leituras em textos maiores, organizadas para seguir o material de cada lição e, finalmente, vários materiais didáticos, para ajudar na memorização e organização do conteúdo aprendido (tabelas de verbos, listas de vocabulário, bibliografia e índices). A parte que eu acho mais interessante é que já na lição 15 o aluno começa a ter leituras e exercícios que aplicam o material aprendido ao discurso do próprio texto hebraico. As leituras que acompanham as lições são 8: 1) Gênesis 22.1-19, 2) Gênesis 17.1-9, 3) Juízes 16.4-20, 4) Deuteronômio 6.1-25, 5) 1 Samuel 17.32-38, 6) Gênesis 29.1-30, 7) Ezequiel 37.1-14, 8) Gênesis 43.1-45.28. O livro usa um método interativo, exigindo que o aluno responda algumas perguntas de revisão e aprendizado, tanto nas lições quanto nas leituras, facilitando assim o aprendizado tanto para alunos numa turma de hebraico numa escola teológica quanto para alunos autodidatas.

Note então que, com leituras constantes de textos cada vez mais longos, o aluno não aprende somente a gramática, mas a aplica de uma forma relevante (veja a primeira parte desta resenha) e a vê sempre no contexto do discurso (veja a segunda parte desta resenha) em hebraico. Assim, o aluno tem um contato constante e semi-imersivo com o hebraico que ele aprende.

Mas creio que Rocine explica melhor: “Com tantos recursos de estudo bíblico úteis disponíveis, certamente não existe qualquer necessidade para a maioria de nós de meramente traduzir a Bíblia mais uma vez. No entanto, é exatamente isso que a maioria dos cursos de primeiro ano de hebraico bíblico está ensinando. O aluno aprende que, se ele conseguir traduzir a Bíblia Hebraica de modo a se parecer com a Almeida Revista e Atualizada, ele foi bem-sucedido. […] Por isso, o objetivo deste volume é ensinar, da primeira à quinquagésima lição, nuanças repletas de significado, especialmente aquelas relacionadas à análise do discurso do hebraico bíblico inacessíveis por meio das traduções na nossa língua. Este curso busca ressaltar o valor de ler a Bíblia Hebraica em hebraico.”

Se essa última frase não te faz salivar de desejo de aprender o hebraico com o Rocine, então não sei como recomendar mais esse livro!

Veja abaixo links para as demais partes dessa resenha:


[Aliás, digo semi-imersivo porque o curso de Rocine não chega a ser uma aula de conversação em hebraico bíblico. Existem alguns recursos assim já para o mundo inglês, tanto digitais quanto escritos, mas essas abordagens ao aprendizado da língua ainda estão em fase inicial de seu desenvolvimento. Em outras palavras, não acho ruim que o livro de Rocine seja semi-imersivo. Pelo contrário, alguns cursos completamente imersivos ensinam o aluno a pensar e falar em hebraico, mas não o dão muito contato com o próprio texto bíblico, o que acaba dando a ênfase errada em todo o empreendimento! Por enquanto, acho que o método semi-imersivo de Rocine é o mais seguro e útil para lermos e interpretarmos a Bíblia hebraica.]

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